Beechjet 400A ou Hawker 400XP: o mesmo jato, dois nomes e um só código na ANAC
Duas décadas de nomes comerciais diferentes para o mesmo projeto. Separar Beechjet de Hawker é entender o que realmente muda o valor de um usado.

Procure "beechjet 400a preço" e "hawker 400xp valor de mercado" no mesmo dia, em sites diferentes, e é fácil sair convencido de que são dois aviões distintos. Um anúncio custando a metade do outro, especificações quase idênticas, e nenhuma linha explicando por quê. Não é erro de digitação nem avaliação capenga: é o mesmo jato, com nomes de décadas diferentes, e a confusão de nomenclatura é tão comum quanto o próprio avião. Para quem compra, vende ou dá manutenção nesse jato, entender qual dos três nomes está na frente de cada anúncio é a diferença entre negociar com informação e negociar no escuro.
Beechjet 400A e Hawker 400XP (e a versão mais recente, Hawker 400XPR) são a mesma família de jato leve bimotor, batizada de novo mais de uma vez ao longo de quatro décadas. No RAB da ANAC, todas as variantes entram sob o mesmo código ICAO: BE40.
Três nomes, um só avião
A linhagem começou japonesa: o Mitsubishi Diamond (designação MU-300) foi o projeto original, mais tarde licenciado e assumido pela Beechcraft, que rebatizou o avião de Beechjet 400 e depois, com cabine pressurizada revisada e outras melhorias, de Beechjet 400A. O nome mudou de novo quando a então dona da Beechcraft comprou a marca Hawker da British Aerospace: o mesmo avião, com aviônicos e acabamento atualizados, virou Hawker 400XP. A geração mais recente, o Hawker 400XPR, trocou os motores Pratt & Whitney Canada JT15D originais por Williams International FJ44, com ganho de eficiência e de TBO (o intervalo entre revisões maiores do motor). O próprio Diamond II original também segue debaixo do mesmo código de tipo no registro, mas é hoje uma frota residual, bem menor e bem mais depreciada que a das gerações Beechjet e Hawker, e por isso fica fora do recorte deste artigo.
Para o mercado, isso quer dizer que o mesmo formato de fuselagem, a mesma missão (jato leve de cabine baixa, ideal para viagens curtas e médias) e a mesma pegunta de manutenção aparecem sob rótulos diferentes dependendo de quando o avião saiu de fábrica e de quem o revendeu depois. Para quem consulta o RAB da ANAC, a distinção entre os nomes comerciais nem aparece: o registro trabalha com o código de tipo, não com o nome de marketing da vez.
É uma confusão que a própria imprensa reproduz com frequência: reportagem cita "Beechjet 400A" numa manchete e descreve, no corpo do texto, um exemplar que na verdade é um Hawker 400XP mais recente (ou vice-versa), porque a fonte da apuração não separou os nomes comerciais do tipo real da aeronave. O efeito prático é um mercado de busca fragmentado: quem procura preço, especificação ou notícia sobre esse jato nunca sabe se está pesquisando pelo nome certo, e comparações lado a lado entre modelos parecidos (como no comparador do Jet Tracker) ajudam a resolver isso porque comparam pela ficha técnica, não pelo rótulo do anúncio.
O preço que muda de nome junto com o avião
| Variante | Preço de fábrica (histórico) | Situação |
|---|---|---|
| Beechjet 400A | US$ 6,8 milhões | Fora de linha desde a chegada do Hawker 400XP |
| Hawker 400XP | US$ 7,0 milhões | Fora de linha desde a chegada do 400XPR |
| Hawker 400XPR | Não fabricado como avião novo (retrofit de motor sobre a mesma célula) | ~US$ 2,5 milhões de referência de usado (avaliação PAPI, mar/2026) |
Os dois primeiros números são preço de fábrica histórico, não o que um exemplar vale hoje: um Beechjet 400A ou Hawker 400XP de linha já tem décadas de uso, e o valor de mercado de um usado dessa geração converge para a faixa de referência PAPI do Hawker 400XPR, a variante mais recente da família (fonte: especificações do Jet Tracker por modelo, avaliação PAPI de mar/2026). É esse hiato, preço de fábrica de um lado, avaliação de usado de outro, que faz um anúncio parecer "barato demais" quando na verdade só está citando a régua errada.
Vale o mesmo alerta para quem lê preço de leilão judicial ou de execução de dívida: lance inicial de um processo é balizado por avaliação própria do processo, muitas vezes conservadora e desatualizada, e não é referência de mercado. A régua de comparação correta é a avaliação de usado da variante equivalente, não o valor de arrematação mínimo publicado no edital.
O mesmo avião custa 6,8 milhões de dólares novo em 1994 e vale uma fração disso hoje. A pergunta certa nunca é "quanto custava", é "quanto vale agora, com quantas horas e com qual motor".
Quanto custa voar um BE40 no Brasil
Esse número já embute a peça que mais separa as variantes: o motor. É a primeira coisa a checar antes de negociar um exemplar usado, porque muda o programa de reserva inteiro.
Beechjet 400A e Hawker 400XP
- Motor Pratt & Whitney Canada, o original da família
- TBO de 3.600 horas
- Programa de reserva mais caro por hora de motor
- Frota mais numerosa, peça e mão de obra mais fáceis de achar
Hawker 400XPR
- Motor Williams International, retrofit sobre a célula original
- TBO estendido a 5.000 horas
- Reserva de motor mais eficiente por hora voada
- Frota menor no Brasil, exemplar geralmente mais recente
Motor mais novo custa mais para comprar usado, mas dilui menos reserva por hora de voo, e essa conta muda o custo total de propriedade mais do que o rótulo na cauda do avião. Quem está decidindo entre comprar ou fretar esse porte de jato encontra a conta completa, com hangaragem, tripulação e seguro, no guia de custo de um jato executivo.
Quantos BE40 voam no Brasil hoje
É uma frota que já passou dos vinte, trinta anos de idade em boa parte dos exemplares. Jato desse tempo de uso troca de dono com frequência (o RAB registra a movimentação de propriedade, nunca o motivo dela), e entra no mercado secundário por canais variados: revenda direta, corretora, e também leilão judicial, quando o bem vira parte de um processo de execução, penhora ou falência.
É também um jato de missão regional por natureza: cabine para seis a oito passageiros, autonomia para ligar capitais e cidades médias sem escala, pista curta o bastante para operar fora dos grandes hubs. É por isso que aparece com frequência associado a empresas do interior e a operadores de táxi aéreo, ao lado dos jatos maiores concentrados no eixo São Paulo, tema que o mapa da frota por estado detalha em profundidade.
O que o RAB mostra (e o que ele não atualiza sozinho)
Isso vale para qualquer avião, e vale em dobro para uma família com quatro décadas de mercado e três nomes comerciais: o histórico de manutenção, o motor instalado (JT15D ou FJ44) e o status real no registro pesam mais na decisão de compra do que a etiqueta "Beechjet" ou "Hawker" estampada no anúncio.
É exatamente essa lacuna, apreensão ou disputa que não atualiza o registro em tempo real, que faz sentido acompanhar de forma contínua, não só no momento da compra: o histórico de movimentação de propriedade e a situação corrente de cada matrícula da família BE40 ficam abertos, com fonte e data, no analytics de movimentações do Jet Tracker.
Antes de comprar (ou arrematar) um BE40 usado
Nome comercial à parte, a diligência de compra de um jato dessa geração segue o mesmo roteiro de qualquer aeronave usada, com alguns pontos específicos da família:
- Motor e programa de reserva. Confirme se é JT15D (400A, 400XP) ou FJ44 (400XPR): muda o TBO, o custo de revisão e o valor de revenda.
- Gravame e situação no RAB. Alienação fiduciária, penhora ou arresto ativo não aparecem no anúncio, só na consulta oficial ao registro.
- Validade do CVA. Certificado vencido é sinal de manutenção parada, não só burocracia pendente.
- Histórico completo de manutenção, incluindo diretivas de aeronavegabilidade cumpridas e eventuais danos estruturais anteriores.
- Inspeção pré-compra independente, feita por oficina homologada que não seja a mesma do vendedor, antes de fechar qualquer negócio.
O roteiro completo, com o que perguntar em cada etapa, está no guia de como comprar um avião no Brasil.
No fim, a pergunta "Beechjet ou Hawker" nunca teve dois lados certos e um errado: são nomes sucessivos do mesmo projeto, e a informação que separa um bom negócio de um mau negócio nunca esteve no nome comercial. Está no motor instalado, no histórico de manutenção e no que o registro oficial mostra sobre gravame e situação, não na etiqueta do anúncio nem na manchete que trouxe o avião à conversa.
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Perguntas frequentes
Beechjet 400A e Hawker 400XP são o mesmo avião?
São a mesma família de jato leve bimotor, batizada de novo mais de uma vez: Mitsubishi Diamond (MU-300) na origem, Beechjet 400/400A sob a Beechcraft e Hawker 400XP depois que a marca Hawker foi incorporada. No RAB da ANAC, todas as variantes usam o mesmo código de tipo, BE40.
Qual a diferença entre o Hawker 400XP e o Hawker 400XPR?
O motor. O 400XP roda com o Pratt & Whitney Canada JT15D-5 original da família, TBO de 3.600 horas. O 400XPR é um retrofit sobre a mesma célula com motores Williams International FJ44-4A, TBO estendido a 5.000 horas e maior eficiência de combustível.
Quanto custa um Beechjet 400A ou Hawker 400XP usado?
O preço de fábrica histórico do Beechjet 400A era de US$ 6,8 milhões e o do Hawker 400XP, US$ 7,0 milhões, mas nenhum dos dois é fabricado hoje. A referência de mercado usado mais recente disponível é a avaliação PAPI do Hawker 400XPR, de cerca de US$ 2,5 milhões (mar/2026).
Quanto custa operar esse jato no Brasil?
O custo direto de operação estimado para a família gira em torno de US$ 2.587 por hora de voo no Brasil, considerando combustível, motor e manutenção (base jun/2026). O valor final varia por variante, principalmente pelo programa de motor (JT15D ou FJ44).
Por que um jato usado às vezes aparece em leilão judicial?
Aeronaves com décadas de mercado trocam de dono com frequência, e o leilão judicial (execução de dívida, penhora, falência) é um dos canais possíveis de venda, ao lado da revenda direta e de corretoras. A situação no RAB não se atualiza automaticamente com o andamento do processo judicial, por isso checar gravame e CVA antes de arrematar é indispensável.
Fontes
- ANAC, Registro Aeronáutico Brasileiro (dados abertos)
- Jet Tracker, especificações e custo operacional por modelo (aircraft_models), dados de jun/2026
- Aircraft Bluebook / PAPI, avaliação de mercado usado do Hawker 400XPR (mar/2026)
- Textron Aviation / Hawker Beechcraft, histórico de modelos da família Beechjet/Hawker 400 (fabricante)